O homem viril desvelado: representações de masculinidade na arte funerária paulistana

Autores

  • Maristela Carneiro Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Ciências Humanas e Sociais Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Av. Fernando Corrêa da Costa, 2367, Boa Esperança 78060-900 – Cuiabá, MT http://orcid.org/0000-0002-6335-7379

DOI:

https://doi.org/10.9789/2525-3050.2017.v2i3.214-258

Resumo

O artigo investiga representações de trabalho e masculinidade na arte funerária modernista da cidade de São Paulo, a partir de duas construções escultóricas integrantes do acervo do Cemitério da Consolação, pertencentes às Famílias Rizkallah Jorge e Calfat, de autoria de Antelo Del Debbio (1901-1971). Os túmulos são exemplos de propriedades de famílias imigrantes que se integraram à elite   e fizeram uso da arte funerária como suporte de distinção social. Recorrem às representações de trabalho e masculinidade, sendo o labor o elemento que correlaciona os conjuntos funerários selecionados, observados por intermédio das lentes de Didi-Huberman. Analisa os lugares do trabalho, dos trabalhadores  e dos imigrantes no cenário do período. Estes homens forjados em bronze simbolizam os sepultados e o lugar que os mesmos ocupavam enquanto vivos. Deste modo, ambas as esculturas, ancoradas nas trajetórias dos proprietários dos túmulos, configuram-se enquanto alicerce social: a força física é representativa da solidez social e econômica que seu trabalho ajudaria a compor.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maristela Carneiro, Programa de Pós-Graduação em História. Instituto de Ciências Humanas e Sociais Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Av. Fernando Corrêa da Costa, 2367, Boa Esperança 78060-900 – Cuiabá, MT

Pós-Doutoranda em História pelo Programa de Pós-Graduação em História, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Brasil. Doutora em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Brasil. Autora de livros e materiais didáticos pelo IESDE - Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino.

Referências

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Nordestino: uma invenção do falo – uma história do gênero masculino. São Paulo: Intermeios, 2013. 254p.

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. O nu na Antiguidade Clássica. Lisboa: Portugalia, 1992. 85p.

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia de Letras, 2008. 736p.

ARIÈS, Philippe. História da Morte no Ocidente. Da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. 312p.

ARIÈS, Philippe. O homem diante da morte. São Paulo: Editora Unesp, 2014. 838p.

BARBOSA, Luciane Muniz Ribeiro. Igreja, Estado e educação em Martinho Lutero: uma análise das origens do direito à Educação. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007. 239p.

BATISTA, Stephanie Dahn. O corpo falante: narrativas e inscrições num corpo imaginário na pintura acadêmica do século XIX. Revista Científica/Fap. Curitiba, v. 5, p. 125-148, jan./jun. 2010. Disponível em <http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/Revista_cientifica_5/revista5_Stephanie_Dahn_Batista. pdf>. Acesso: 06/09/2016.

BERRESFORD, Sandra. Italian Memorial Sculpture 1820-1940. A legacy of love. London: Frances Lincoln Limited, 2004. 256p.

BORDWELL, David & THOMPSON, Kristin. Film Art: An Introduction, New York: Mc Graw-Hill, 2001. 458p.

BORGES, Maria Elizia. A estatuária funerária no Brasil: representação iconográfica da morte burguesa. São Luís. In: VII Abanne – Gt Antropologia da Emoção. Edições do GREM, 8, 2004. Disponível em <http://www.artefunerariabrasil.com.br/admin/upload/artigos/texto%20do%20CD. pdf>. Acesso: 02/10/2016.

BORGES, Maria Elizia. Arte funerária no Brasil (1890-1930): Ofícios de Marmoraristas Italianos em Ribeirão Preto. Belo Horizonte: C/Arte, 2002. 312p.

BORGES, Maria Elizia. Arte Funerária no Brasil: contribuições para a historiografia da arte brasileira. In: Anais do XXII Colóquio Brasileiro de História da Arte. Rio Grande do Sul: PUCRS, 2003. Disponível em <http://www.artefunerariabrasil.com.br/admin/upload/artigos/coloquio%20puc.pdf>. Acesso: 10/09/2016.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013. 237p.

CAMARGO, Luís Soares de. Viver e Morrer em São Paulo: a vida, as doenças e a morte na cidade do século XIX. 2007, 545 p. Tese (Doutorado em História Social), Programa de Pós-Graduação em História Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.

CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da belle époque. Campinas: Editora da Unicamp, 2008. 368p.

CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário dos Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. 996p.

CHIARELLI, Tadeu. A repetição diferente: aspectos da arte no Brasil entre os séculos XX e XIX. Crítica Cultural. Florianópolis, v. 4, n. 2, p. 125-161, dez. 2009. Disponível em <http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Critica_Cultural/article/view/139>. Acesso: 06/09/2016.

CHIARELLI, Tadeu. Pintura não é só beleza. A crítica de arte de Mário de Andrade. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2007. 325p.

CYMBALISTA, Renato. Cidades dos Vivos. Arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do estado de São Paulo. São Paulo: Annablume / Fapesp, 2002. 210p.

DAWKINS, Richard. The ancestor’s tale: a pilgrimage to the dawn of evolution. New York: Houghton Mifflin Company, 2005. 688p.

DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34, 1998. 264p. DIDI-HUBERMAN, Georges. Ao passo ligeiro da serva (Saber das imagens, saber excêntrico). Projeto Ymago. Lisboa: KKYM, 2011a. Disponível em <http://cargocollective.com/ymago/Didi-Huberman-Txt-3>. Acesso em: 30/04/2016.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Sobrevivência dos vaga-lumes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011b. 164p.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Quando as imagens tocam o real. Pós - Revista do Programa de Pós- Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da UFMG. Belo Horizonte, v. 2, n. 4, p. 204-219, nov. 2012.

ELIAS, Norbert. A Solidão dos Moribundos, seguido de Envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. 108p.

FABRIS, Annateresa. Cândido Portinari. São Paulo: Edusp, 1996. 189p.

FAVARO, Cleci Eulália. Imagens femininas: contradições, ambivalências, violências. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. 258p.

FRIAS, Paula Giovana Lopes Andrietta. A representação do universo caipira: fator de renovação na produção de Almeida Júnior. Revista Educare CEUNSP. São Paulo, v. 1, n. 1, p. 30-35, 2013.

GERAISSATI, Renata. Trajetória de um patrício: conhecendo Rizkallah Jorge Tahan e a construção de seu poder simbólico. Revista Outras Fronteiras. Cuiabá, v. 1, n. 2, p. 302-323, jul-dez. 2013. Disponível em <http://revistas.ufpr.br/clio/article/view/40407>. Acesso: 08/09/2016.

GOMBRICH, Ernst Hans. Os usos das imagens: estudos sobre a função social da arte e da comunicação social. Porto Alegre: Bookman, 2012. 304p.

GUTMANN, Matthew. Trafficking in men: the anthropology of Masculinity. Annual Review of Anthropology. Vol. 26 (1997), p. 385-409. Disponível em: <https://www.jstor.org/ stable/2952528?seq=1#page_scan_tab_contents>. Acesso em: 26/03/2017.

JOYCE, James. Ulysses. São Paulo: Penguin/Companhia das Letras, 2012. 1112p.

KATZ, Helena. Por uma teoria crítica do corpo. In: OLIVEIRA, Ana Cláudia de e CASTILHO, Kathia. (orgs.). Corpo e moda: por uma compreensão do contemporâneo. Barueri, SP: Estação das Letras, 2008, p. 69-74.

LE GOFF, Jacques. Para uma outra Idade Média: tempo, trabalho e cultura no ocidente. Petrópolis: Vozes, 2013. 534p.

MARQUEZAN, Reinoldo. Enfoque psicopedagógico na relação família e escola. Revista Educação Especial (UFSM). Santa Marai, v. 2, n. 28, p. 287-296, 2006. Disponível em <https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/4304>. Acesso: 05/09/2016.

MARTINS, José de Souza. O Cativeiro da Terra. São Paulo: Editora Ciências Humanas, 1979. 157p.

MARTINS, José de Souza. O que a morte não leva [entrevista a Miguel Glugoski]. Jornal da USP. Ano XXIV, nº 847, 6 a 12 de outubro de 2008, p. 12-13. São Paulo: Coordenadoria de Comunicação Social - USP, 2008. Disponível em <http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2008/jusp847/pag12.htm>. Acesso: 30/05/2017.

MATIAS, Antônio Augusto Nogueira. O trabalho à luz da teologia de Santo Agostinho. Pensar: Revista Eletrônica da FAJE. Belo Horizonte, v. 5, n. 2, p. 257-266, 2014. Disponível em <http://faje.edu.br/periodicos/index.php/pensar/article/view/3010>. Acesso: 02/10/2016.

MATOS, Maria Izilda Santos de. Meu lar é o botequim: alcoolismo e masculinidade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2001. 259p.

MATOS, Maria Izilda Santos de. Âncora de emoções: corpos, subjetividades e sensibilidades. Bauru: Edusc, 2005. 182p.

MATRANGOLO, Breno Henrique Selmine. Formas de bem morrer em São Paulo: transformações nos costumes fúnebres e a construção do cemitério da Consolação (1801-1858). 2013, 223p. Dissertação (Mestrado em História Econômica), Programa de Pós-Graduação em História Econômica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2013.

MOTTA, Antonio. Estilos mortuários e modos de sociabilidade em cemitérios brasileiros oitocentistas. Horizontes Antropológicos. 2010, vol.16, n.33, p. 55-80.

NICHOLSON, Linda. Interpretando o gênero. Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v. 8, n.2, p. 9-41, 2000. Disponível em <https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/11917>. Acesso: 12/09/2016.

NOLASCO, Sócrates. O mito da masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. 187p.

____. De Tarzan a Homer Simpson: banalização da violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. 318p.

PAGOTO, Amanda Aparecida. Do âmbito sagrado da igreja ao cemitério público: transformações fúnebres em São Paulo, 1850-1860. São Paulo: Imprensa Oficial, 2004. 160p.

PERUTTI, Daniela Carolina. Gestos feitos de tinta: as representações corporais na pintura de Almeida Júnior. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. 313p.

PESCI, Giovanna (orgs.). La Certosa di Bologna: Immortalita’ della memoria. Bolonha: Editrice Compositori, 1998. 368p.

PISCITELLI, Adriana. “Pioneiros”: masculinidades em narrativas sobre fundadores de grupos empresariais brasileiros. In: SCHPUN, Mônica Raisa (org.). Masculinidades. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, p. 175-203.

REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. O céu aberto na terra: uma leitura dos cemitérios de São Paulo na geografia urbana. São Paulo: E. C. M. Rezende, 2006. 184p.

RIBEIRO, Josefina Eloína. Escultores italianos e sua contribuição à arte tumular paulistana. Tese (Doutorado em História Social), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999. 1262p.

RODRIGUES, Claudia. Nas fronteiras do Além: a secularização da morte no Rio de Janeiro (Séculos XVIII-XIX). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.

RUGGIERO, Antonio de. Os empreendedores toscanos do mármore nas cidades brasileiras (1875-1914). In: FAY, Claudia Musa e RUGGIERO, Antonio de. Imigrantes empreendedores na história do Brasil: estudos de casos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2014. 200p.

SANSON, Cesar. Trabalho e subjetividade: da sociedade industrial à sociedade pós-industrial. Tese (Doutorado em Sociologia). Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009. 156p.

SCOTT, Joan. Gênero: uma Categoria Útil de Análise Histórica. Educação e Realidade. Porto Alegre, v. 20, n. 2, p.71-99, 1995. Disponível em <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/1210/scott_gender2.pdf>. Acesso: 10/09/2016.

SILVA, Joseli Maria et al. Espaço, gênero & masculinidades plurais. Ponta Grossa: Todapalavra, 2011. 360p.

SORIO, Livia. Cemitérios da província: história e arte cemiterial em Porto Alegre. Porto Alegre: Edição do Autor, 2009. 148p.

SOUZA, Gilda de Mello e. Pintura brasileira contemporânea: os precursores. Discurso. São Paulo, Órgão Oficial do Departamento de Filosofia, FFLCH/USP, v. 5, p. 120-129, 1974.

TAYLOR, Charles. As fontes do self: a construção da identidade moderna. São Paulo: Loyola, 2005. 672p.

VALLADARES, Clarival do Prado. Arte e Sociedade nos Cemitérios Brasileiros. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1972. 1487p.

VIEGAS, Alessandra Serra. A importância do corpo na sociedade grega: na vida e na morte. Nearco – Revista Eletrônica de Antiguidade. Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 13-26, 2008. Disponível em:<http://www.revistanearco.uerj.br/arquivos/numero1/arquivo2.pdf/>. Acesso em: 26/11/2015.

VIEIRA-SENA, Taísa. A construção da identidade masculina contemporânea por meio da roupa íntima. Dissertação (Mestrado em Design), Programa de Pós-Graduação em Design, Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2011. 187p.

VOVELLE, Michel. Imagens e Imaginário na História. Fantasmas e certezas nas mentalidades desde a Idade Média até o século XX. São Paulo: Ática, 1997. 407p.

WOLLECK, Aimoré. O trabalho, a ocupação e o emprego: uma perspectiva histórica. Revista Leonardo Pós. Indaial, v. 1, p. 1-15, 2002. Disponível em: <http://www.posuniasselvi.com.br/ artigos/rev01-05.pdf>. Acesso em: 19/10/2016.

Downloads

Publicado

2019-02-25

Como Citar

Carneiro, M. (2019). O homem viril desvelado: representações de masculinidade na arte funerária paulistana. Revista M. Estudos Sobre a Morte, Os Mortos E O Morrer, 2(3), 214–258. https://doi.org/10.9789/2525-3050.2017.v2i3.214-258

Edição

Seção

Artigo Livre