Um monopólio fúnebre na cidade de São Paulo (1855-1890)

Autores

  • Thais Cristina Pereira Pontificia Universidade Católica/ Programa de pós graduação em História https://orcid.org/0000-0002-3003-0425
  • Estefânia Knotz Canguçu Fraga Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Palavras-chave:

Serviço funerário, cemitério da consolação, Santa Casa de Misericórdia, transporte fúnebre

Resumo

Este artigo analisa o monopólio do serviço de transporte funerário na cidade de São Paulo, entre 1855 e o fim do século XIX. Em 1856, a Assembleia Legislativa da Provincia de São Paulo concedeu o monopólio do serviço funerário ao empresário carioca Joaquim Marcellino da Silva, pelo período de 15 anos. Com o término do contrato, a Assembleia optou por entregar a prerrogativa à Santa Casa de Misericórdia, alegando que esta não iria especular com os valores do serviço. Após a concessão, no entanto, a irmandade “terceirizou” o transporte funerário. O contexto da atuação e as polêmicas que envolveram, os dois agentes têm como base atas da Câmara Municipal da Cidade de São Paulo, os anais da Assembleia Legislativa da Província de São Paulo e jornais de época.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Thais Cristina Pereira, Pontificia Universidade Católica/ Programa de pós graduação em História

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente é professora de Ensino Fundamental II e Ensino Médio da prefeitura de São Paulo, na EMEF Fernando Gracioso.

Estefânia Knotz Canguçu Fraga, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Doutora em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- SP). Professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, atuando no Programa de Pós-graduação em História.

Referências

Amaral, A. B. (1980). Dicionário de História de São Paulo. São Paulo: Governo do Estado.

Ariès, P. (2014). O homem diante da morte. São Paulo: Editora Unesp.

Borges, M. E. (2017). Arte Funerária no Brasil (1890-1930): ofício de marmoristas italianos em Ribeirão Preto (2ª ed). Goiânia: Gráfica UFG.

Camargo, L. S. (1995). Sepultamentos na cidade de São Paulo: 1800-1858. [Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo].

Camargo, L. S. (2007). Viver e morrer em São Paulo: a vida, as doenças e a morte na cidade do século XIX. [Tese de Doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/handle/handle/13020. Acesso em: 30 abr. 2021.

Carneiro, G. (1986). O poder da Misericórdia: a irmandade da Santa Casa na história social e política da cidade de São Paulo. V.1. São Paulo: Press Grafic.

Corbin, A. (1987). Saberes e odores: o olfato e o imaginário social nos séculos dezoito e dezenove. São Paulo: Cia das Letras.

Cymbalista, R. (2002). Cidade dos vivos. Arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do estado de São Paulo. São Paulo: Annablume; Fapesp.

Dillmann, M. (2013). Morte e práticas fúnebres na secularizada república. A irmandade e o cemitério São Miguel e almas de Porto Alegre na primeira metade do século XX. [Tese de Doutorado, Universidade do Vale do Rio dos Sinos]. Disponível em: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/4048?show=full. Acesso em: 20 mai. 2021.

Dillmann, M. (2016). Morte e práticas fúnebres na secularizada república. Porto Alegre, início do século XX. Jundiaí: Paco Editorial.

Elias, N. (2011). A solidão dos moribundos – seguido de “Envelhecer e morrer”. Rio de Janeiro: Zahar.

Franco, M. C. V. (2019). De campo santo à necrópole monumentalizada: criação e transformação do Cemitério Público de Campos dos Goytacazes no século XIX. [Tese de Doutorado, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro]. Disponível em: http://www.repositorio-bc.unirio.br:8080/xmlui/handle/unirio/12954. Acesso em: 15 mai. 2021.

Franco, R. (2011). Pobreza e caridade leiga – as Santas Casas de Misericordia na América portuguesa. [Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25052012-133000/pt-br.php. Acesso em: 15 mai. 2021.

Guedes, S. P. L. C. (1986). Atitudes perante a morte em São Paulo, século XVII-XIX. [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo]. Disponível em: https://www.academia.edu/49916439/GUEDES_Sandra_P_L_C_ATITUDES_PERANTE_A_MORTE_EM_S%C3%83O_PAULO_S%C3%89CULOS_XVII_A_XIX. Acesso em: 15 mai. 2021.

Loureiro, M. A. (1977). Como nasceu o serviço funerário. São Paulo: Secretaria de Serviços e Obras da Prefeitura do Município.

Machado, L. P. S. (2011). Iconografia maçônica nas carruagens fúnebres de Pelotas. [Trabalho de conclusão de curso, Universidade Federal de Pelotas]. Disponível em: https://docplayer.com.br/11831938-Iconografia-maconica.html. Acesso em: 15 mai. 2021.

Magalhães, F. (Coord.). (n.d.). Cemitério dos protestantes – Repouso de ilustres. São Paulo: Associação do Cemitério dos Protestantes.

Martins, J. S. (Org.). (1983). A morte e os mortos na sociedade brasileira. São Paulo: Hucitec.

Matrangolo, B. H. S. (2013). Formas de bem morrer em São Paulo: transformações nos costumes fúnebres e a construção do cemitério da Consolação (1801-1858). [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-18112013-130205/publico/2013_BrenoHenriqueSelmineMatrangolo_VCorr.pdf. Acesso em: 15 mai. 2021.

Moreno, T. M. B. (1992). A Ordem Terceira do Carmo na cidade de São Paulo (1860-1880). Um estudo sobre a sua participação social e religiosa. [Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo].

Moura, S. & Paiva, O. C. (2008). Hospedaria de imigrantes de São Paulo. São Paulo: Paz e Terra.

Oliveira, M. L. F. (2005). Entre a casa e o armazém. Relações sociais e experiências de urbanização – São Paulo, 1850-1900. São Paulo: Alameda.

Pagoto, A. A. (2004). Do âmbito sagrado da Igreja ao cemitério público: transformações fúnebres em São Paulo (1850-1860). São Paulo: Arquivo do Estado.

Pereira, T. C. (2018). Do sagrado ao profano: transformações fúnebres na cidade de São Paulo – 1858-1890. [Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/21587/2/Thais%20Cristina%20Pereira.pdf. Acesso em: 15 mai. 2021.

Queiroz, S. R. (2004). Política e poder público na cidade de São Paulo: 1889-1954. In P. Porta (Org.). História da cidade de São Paulo: a cidade na primeira metade do século XX (pp. 1890-1954). São Paulo: Paz e Terra.

Reis, J. J. (1991). A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Cia das Letras.

Rodrigues, C. (1997). Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4204210/4101381/lugares_mortos_cidade_vivos.pdf. Acesso em: 16 de dez. 2020.

Rodrigues, C. (2005). Nas fronteiras do além: a secularização da morte no Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional.

Rodrigues, C. (2008). Sepulturas e sepultamentos de protestantes como uma questão de cidadania na crise do Império (1869-1889). Revista de História Regional, 13 (1), 23-38. Disponível em: https://revistas2.uepg.br/index.php/rhr/article/view/2255. Acesso em: 15 mai. 2021.

Rodrigues, C. (2011). O corpo morto e o corpo do morto entre a Colônia e o Império. In: M. D. Priore & M. Amantino (Orgs.). História do corpo no Brasil (1ª ed., v. 1, pp. 157-183). São Paulo: Unesp.

Rodrigues, C. (2014). A criação dos cemitérios públicos do Rio de Janeiro enquanto "campos santos". Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, 8, 257-278.

Rodrigues, J. C. (1983). O tabu da morte. Rio de Janeiro: Edições Achiamé.

Saes, F. (2004). São Paulo republicana: vida econômica. In P. Porta (Org.). História da cidade de São Paulo: a cidade na primeira metade do século XX (1890-1954) (v. 3, pp. 215-258). São Paulo: Paz e Terra.

Schleumer, F. (2005). Bexigas, curas e calundus: caminhos da morte entre escravos em São Paulo e seus arredores (século XVIII). [Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo].

Silva, E. A. (2005). O cotidiano da morte e a secularização dos cemitérios em Belém na segunda metade do século XIX (1850-1891). [Dissertação de Mestrado, Pontifica Universidade Católica de São Paulo]. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/13175/1/ErikaASilva.pdf. Acesso em: 15 mai. 2021.

Silva, M. R. B. (2010). Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: saúde e assistência se tornam públicas (1875-1910). Varia História, 26 (44), 395-420. Disponível em: https://www.scielo.br/j/vh/a/hzX7pxNLCLZgGDYmBPC5Xwq/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 15 mai. 2021.

Valladares, C. P. (1972). Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros: um estudo da arte cemiterial ocorrida no Brasil desde as sepulturas de igrejas e as catacumbas de ordens e confrarias até as necrópoles secularizadas, realizado no período de 1960 a 1970 (2 v.). Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura.

Vicentini, R. C. C. (2007). O percurso de um precursor – As atividades de um empreendedor paulista na São Paulo imperial e republicana. [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo].

Vovelle, M. (1974). Mourir autrefois: attitudes collective devant la mort aux XVIIe et XVIIIe siècles. Paris: Gallimard/Julliard.

Vovelle, M. (1996). A história dos homens no espelho da morte. In H. Braet & W. Verbeke (Eds.). A morte na Idade Média (pp. 11-26). São Paulo: Editora da universidade de São Paulo.

Downloads

Publicado

2022-01-31

Como Citar

Pereira, T. C., & Fraga, E. K. C. (2022). Um monopólio fúnebre na cidade de São Paulo (1855-1890). Revista M. Estudos Sobre a Morte, Os Mortos E O Morrer, 7(13), 127–155. Recuperado de http://www.seer.unirio.br/revistam/article/view/10648