Necessidade de formação musical do engenheiro de áudio responsável pelo registro de músicas

Rodrigo de Castro Lopes

Resumo


Este estudo aborda a posição do engenheiro de áudio enquanto mediador do discurso musical, colocando-o como filtro ou lente entre o intérprete e o público final. Por ser uma mediação musical, é traçada uma analogia entre a posição do engenheiro e a posição do intérprete, também um mediador entre a obra e o público. Analisamos as diferenças na prática do músico e do engenheiro de áudio, tanto com relação ao exercício diário, quanto à mediação desempenhada pelos dois, e discorremos sobre como o discurso musical pode ser influenciado pelas ferramentas técnicas utilizadas pelo engenheiro em sua atividade. Observamos também como o entendimento desse discurso favorece a utilização dessas ferramentas. O trabalho do engenheiro de áudio é dividido em etapas, e comentamos como cada uma delas pode interagir com a composição ou arranjo. Em seguida constatamos a escassez de cursos de música dirigidos a esses profissionais para orientá-los na compreensão e domínio das diversas linguagens musicais, de forma a suprir as necessidades específicas da sua atividade profissional, e propomos uma metodologia que incorpora o ensino da música à utilização das ferramentas de áudio. Expomos o conceito de “audição direcionada”, que consiste na audição e estudo de trechos musicais com complexidade progressiva, e descrevemos as etapas a seguir em um programa de treinamento musical para engenheiros de áudio, visando um melhor desempenho e uma maior clareza na sua representação de uma obra musical. Este programa inclui exercícios de audição e exercícios práticos para serem executados utilizando as ferramentas encontradas em estúdios de gravação e mixagem.

Texto completo:

PDF