Sobre a morte e o morrer: concepções de profissionais de saúde envolvidos em uma investigação sobre óbito infantil em Porto Alegre

Maria da Graça Alexandre, Cristianne Maria Famer Rocha, Paulo Roberto Antonacci Carvalho

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar as concepções sobre a morte e o morrer entre profissionais de saúde envolvidos na investigação do óbito infantil. A partir de um estudo qualitativo, enfocamos agentes que integram o Comitê de Prevenção de Mortalidade Fetal Tardia e Infantil (CMI) e os que atuam na Atenção Primária em Saúde do município de Porto Alegre/RS. A coleta de dados ocorreu por pesquisa documental, observação sistemática das reuniões do CMI e entrevista individual, com base em roteiro semiestruturado. A técnica de Análise de Conteúdo Temática foi aplicada aos dados qualitativos. Dentre as diversas percepções acerca da morte e do morrer, destacamos: a morte como passagem, evento que ocorre no futuro; a morte como perda, produtora de sofrimento; a morte como finitude e a revolta em face da morte inesperada. As concepções dos participantes dessa pesquisa influenciam sua vida profissional. Os autores concluem ser necessária, para profissionais de saúde, a implementação de educação para a morte, a partir de seus questionamentos. É preciso entender a morte para lutar pela vida.


Palavras-chave


Óbito infantil – Educação para a morte – Mortalidade – Profissionais de saúde – Porto Alegre.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2525-3050.2020.v5i9.46-66

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