A conversa enquanto método para emergência da escuta de si

Lílian Campesato, Valéria Bonafé

Resumo


A partir de uma pesquisa de natureza prático-teórica, este artigo propõe forjar um método alternativo para apresentação, reflexão e análise de trabalhos artísticos. Na primeira parte, apresentamos o método - a conversa - e as reflexões sobre ele. Entendida enquanto espaço privilegiado para a investigação das poéticas de si, a conversa é não somente um meio para falar de um trabalho artístico, mas também um lugar de expressão de marcas éticas, estéticas e políticas. Na segunda parte do artigo, observamos o método da conversa em operação na análise dos dois trabalhos musicais feitos em 2015: de perto, de Lílian Campesato, e Trajetórias, de Valéria Bonafé. Os trabalhos tensionam um regime de escuta habitual e provocam, cada uma à sua maneira, o que chamamos de deslocamentos da escuta. Tanto na elaboração do método quanto na discussão sobre os trabalhos, reunimos um vocabulário comum, no qual conceitos como subjetividade e alteridade, habitual e não-habitual, familiar e estranho, foram experimentados. O artigo se constitui como um exercício inicial do que se poderia chamar de uma cartografia da subjetividade no campo da criação artística.


Palavras-chave


escuta, conversa, subjetividade, alteridade, criação musical

Texto completo:

PDF

Referências


BAKTHIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo, Martins Fontes, 2003.

BONAFÉ, Valéria; CAMPESATO, Lílian. A escuta em deslocamento: uma conversa sobre criação musical. In: Anais eletrônicos do Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress. Florianópolis, UFSC, 2018, pp. 1-12.

CAMPESATO, Lílian; BONAFÉ, Valéria. La conversación como método para la emergencia de la escucha de sí. In: El oído pensante, vol. 7, n. 1 (2019). Disponível em: http://ppct.caicyt.gov.ar/index.php/oidopensante/article/view/14037.

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. São Paulo, Ed. Escuta, 1998.

FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: Ética, sexualidade e política. Coleção Ditos e Escritos, v. 5. Manoel Barros da Motta (org.). Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2004, pp.144-162.

KANAAN, Dany Al-Behy. Escuta e subjetivação: a escrita de pertencimento de Clarice Lispector. São Paulo, Casa do Psicólogo e EDUC, 2002.

LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo, Brasiliense, 2003.

MACEDO, João Paulo; DIMENSTEIN, Magda. Escrita acadêmica e escrita de si: experienciando desvios. In: Mental, v. 7, n. 12 (2009), pp. 153-166. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272009000100009&lng=pt&nrm=iso

NANCY, Jean-Luc. À escuta. Belo Horizonte, Chão da Feira, 2014.

RAGO, Margareth. A aventura de contar-se: feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade. Campinas, Editora da Unicamp, 2013.

RAGO, Margareth. Epistemologia Feminista, gênero e história. In: Masculino, feminino, plural: gênero na interdisciplinaridade. Joana Maria Pedro e Miriam Pillar Grossi (orgs.). Florianópolis, Ed. Mulheres, 1998, pp. 21-42.

ROLNIK, Suely. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre, Sulina e Editora da UFRGS, 2016.




Direitos autorais 2019 DEBATES - Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Música

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Indexadores

 LATINDEX (Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas

de América Latina, el Caribe, España y Portugal) (México)

RILM (Répertoire International de Littérature Musicale)
 

ISSN versão impressa: 1414-7939

ISSN versão eletrônica: 2359-1056